“Deus é infinitamente poderoso, sua força e sabedoria explode no mundo para quem quiser ver. As flores são a alegria de Deus materializada na Terra. Deus reveste as flores com todas as cores do arco-íris para alegrar nossos corações. Quando olhamos a natureza temos a certeza da existência de um grande criador – Deus – o grande arquiteto do universo. A prova está nas cores das flores dessas árvores”. (Luíz Giácomo).

NOME CIENTÍFICO:
Handroanthus impetiginosus

FAMÍLIA:
Bignoniaceae.

ESPÉCIE: Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos

NOMES POPULARES: Cabroe, caixeta, ipê, ipê-cavata, ipê-contra-sarna, ipê-comum, ipê-preto, ipê-rosa, ipê-rosa-de-folha-larga, ipê-rosado, ipê-róseo, ipê-roxo, ipê-roxo-da-casca-lisa, ipê-roxo-da-mata, ipê-roxo-de-bola, ipê-roxo-do-grande, ipê-una, ipeuna, lapacho, lapacho-negro, pau-cachorro, pau-caixeta, pau-d’arco, pau-d’arco-de-flores-roxas, pau-d’arco-rosa, pau-d’arco-roxo, pau-de-tamanco, pau-de viola, peuva, piúna, piúna-folha-larga, piúna-rosa, piúna-roxa, piúna-preta, tabebuia, tabebuia-do-brejo, tamanqueira (Lorenzi, 1992; Carvalho, 2003).

CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS: Árvore medindo entre 8 e 30 metros de altura e de 60 a 100cm de diâmetro. Tronco geralmente retilíneo, copa arredondada irregular e ramos retos. Casca de coloração pardo-escura a negra por fora e parda internamente, 2 a 3cm de espessura, ritidoma espesso, rígido, sulcada longitudinalmente, fissurada transversalmente. Folha composta, oposta, digitada, larga, com 5 folíolos desiguais, coriáceos, pubescentes em ambas as faces, verde-escuro na face superior e verde-claro na face inferior, oblongos ou oval-oblongos, base arredondada, ápice acuminado, margem interna, tufos barbados nas axilas das nervuras, medindo de 8 a 22cm de comprimento e de 4 a 12cm de largura. Inflorescência em panícula sub-corimbiforme, com eixos ramificando dicotomicamente, grossos e cobertos por um indumento fulvo-claro. Flor com pedicelo e cálice revestidos por indumento fulvo-claro, brácteas largas e fulvo-pilosas, geralmente pilosas, cálice campanulado de 5 a 8 mm de comprimento, corola róseo-violácea e fauce amarelada, com 6 mm de comprimento. Fruto cápsula linear, coriacea, pontuda, de 25 a 30cm de comprimento e de 15 a 20mm de largura, deiscente. Semente cordiforme tendendo a oblonga, superfície lisa, lustrosa, marrom-claro, alada nas duas extremidades de coloração marrom-clara transparente, com núcleo seminífero central e elíptico, de 14 a 50mm de comprimento, de 10 a 80mm de largura e aproximadamente 1,7mm de espessura (Rizzini, 1971; Souza; Lima, 1982; Machado et al., 1992; IBF, 2013).

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA:
Desde o México, América Central, Trinidad-Tobago, Bolívia, Paraguai, Uruguai, Argentina. No Brasil, a espécie ocorre na região Norte, nos estados do Pará e Tocantins; no Nordeste pode ser encontrado em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe; no Centro-Oeste ocorre no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e em todos os estados da região Sudeste (Lohmann, 2014).

HABITAT:
A espécie pode ser encontrada nas florestas pluviais, cerradão, matas semidecíduas, matas ciliares, chapadas e tabuleiros da Caatinga (Rizzini, 1971; Lorenzi, 1992).

USO ECONÔMICO ATUAL OU POTENCIAL:
Uma das grandes utilizações do ipê-roxo é em projetos paisagísticos, pela exuberância de sua florada. A espécie se adapta bem em quase todas as regiões do país, inclusive áreas litorâneas. No paisagismo urbano é indicada para áreas de parques e canteiros centrais de avenidas. Também pode ser utilizado em calçamentos, pois suas raízes não destroem as calçadas (Lorenzi, 2008; IBF, 2013). No entanto, em jardins residenciais e condominiais onde há piscinas, seu cultivo deve ser evitado, pois as folhas que caem poderão trazer grandes transtornos para a manutenção dos reservatórios. É uma das espécies nativas mais utilizadas na arborização urbana das cidades das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil (Lorenzi, 2008), caso da cidade de Lavras – MG, que é considerada a “terra dos ipês” (Chagas-Junior etal., 2010). Além do emprego como planta ornamental, é largamente utilizada na medicina tradicional (Castellanos et al., 2009), como fornecedora de madeira para a construção civil, naval e movelaria. É uma espécie melífera e suas flores prestam-se como alimento de aracuãs, jacutingas, papagaios e bugios (Gemaque et al., 2002). Também apresenta grande potencial para a recomposição de áreas degradadas (Lorenzi, 2008; IPEF, 2010).

ASPECTOS ECOLÓGICOS, AGRONÔMICOS E SILVICULTURAIS PARA O CULTIVO:
Planta decídua, heliófila, ocorre no interior da floresta primária densa, em formações abertas e
secundárias. A espécie é classificada como secundária, comportando-se como espécie pioneira em áreas sob ação antrópica. Adapta-se bem a solos com textura arenosa, úmidos e com boa drenagem. Já os solos com baixos teores de nutrientes são limitantes ao seu crescimento (Schneider et al., 2000). Apresenta plasticidade à variação de água e luz, o que favorece a sobrevivência da espécie e o seu estabelecimento em ambientes menos favoráveis, para o máximo crescimento das plântulas (Moratelli et al., 2007). Tolera sombreamento moderado na fase jovem, podendo ser plantada pura a pleno sol, principalmente nos solos férteis, plantios mistos com espécies pioneiras e em enriquecimento de capoeiras ou capoeirões, ao ser plantada em linhas ou faixas. A espécie não tolera geadas (Schneider et al., 2000). No cerrado, floresce durante os meses de maio a setembro com picos em julho e agosto; sempre com a árvore totalmente despida de folhagem. Geralmente os indivíduos apresentam dois ou mais fluxos de floração por período, permanecendo floridos por longo tempo. Os frutos amadurecem a partir de meados de setembro até outubro, seu desenvolvimento é rápido, amadurecendo cerca de 60 dias após a queda das flores (Lorenzi, 1992; IBGE, 2002). A dispersão coincide com a ocorrência das primeiras chuvas no cerrado (Gemaque et al., 2002). O processo reprodutivo inicia por volta dos cinco anos de idade (Carvalho, 2003). Apesar de apresentar maturação desuniforme das sementes, a espécie é amplamente dispersada (Maeda; Matthes, 1984; Lorenzi, 1992). Gemaque et al. (2002) relatam que um dos indicativos da maturidade fisiológica dos frutos é a mudança de coloração, frutos maduros apresentam coloração verde com pontos arroxeados e as sementes passam de verde a verde-amarelo-amarronzado.

PROPAGAÇÃO:
Colher as sementes no início do processo de deiscência dos frutos, quando iniciarem a dispersão espontânea (Gemaque et al., 2002) e deixá-las ao sol para completarem a abertura e liberação das sementes. Posteriormente devem ser postas para germinar em canteiros ou embalagens individuais. A emergência ocorre entre 6 e 12 dias e o percentual de germinação é muito variável, em geral 40 a 50%. Para melhores índices de germinação e vigor de plantas, recomenda-se preconizar a coleta de sementes no terço superior da planta, e a semeadura deve ser feita com as sementes mais pesadas e na profundidade máxima de 0,5 cm (Ribeiro et al., 2012). Em condições controladas, a germinação pode atingir 70-80%, quando realizada em presença de luz a temperatura constante de 30°C graus (Maeda; Matthes, 1984; Silva et al., 2004; Oliveira et al., 2005). Como substrato, pode-se utilizar solo argiloso com adição de matéria orgânica (Bocchese et al., 2008). Em condições de viveiro e produção de mudas em larga escala, pode ser empregado ainda como substrato, uma composição de terra + areia + esterco ou ainda apenas areia ou vermiculita, por serem eficientes e de fácil aquisição (Ribeiro et al., 2012). A propagação por meio de estaca de raiz também é possível, permite a obtenção de indivíduos de maior porte em menor espaço de tempo, mas é trabalhosa e tem como aspecto limitante, a pequena quantidade de estacas que se pode retirar do sistema radicular de cada árvore (IBGE, 2002).
Alguns fungos são frequentemente detectados nas sementes de ipê, principalmente os gêneros Aspergillus, Curvularia, Penicillium, Pestalotia e Fusarium, que podem causar sérios prejuízos durante a germinação e posteriormente, comprometendo o desenvolvimento das plântulas. No entanto, ao se realizar a assepsia das sementes com álcool 70% durante um minuto, seguida de imersão em uma solução de hipoclorito de sódio (NaClO) a 2% por três minutos, estas aumentam significativamente o percentual de germinação e diminui o número de plântulas com lesões (Sousa et al., 2012). A produção de mudas em viveiro requer como substrato solo argiloso rico em matéria orgânica e úmido. Podem ser utilizadas misturas que contenham terra de subsolo e composto orgânico (60% de bagaço de cana-de-açúcar + 20% de esterco bovino + 19% de esterco de galinha + 1% de cinzas), na proporção de 1:1. Os recipientes mais recomendados são os sacos de polietileno preto nas dimensões de 15 x 32cm (Cunha et al., 2005). O tempo de viveiro fica entre 6 a 8 meses, quando as plantas atingem entre 40 a 60cm de altura (IBF, 2013). No plantio definitivo recomenda-se o preparo das covas com esterco curtido e NPK, no espaçamento de 2 x 2m ou 3 x 3m entre as mudas. Durante os primeiros anos de desenvolvimento das plantas deve-se adotar como tratos culturais: sombreamento, adubação química priorizando fósforo e nitrogênio (Souza et al., 2006), adubação verde e o consórcio com outras espécies de rápido crescimento. A espécie apresenta rápido desenvolvimento em solos férteis, úmidos e bem drenados. O desenvolvimento das mudas em condições de campo é lento, o crescimento anual em diâmetro pode variar entre 4,8 a 11,6mm e o tempo médio para uma árvore atingir 40cm de diâmetro é estimado em, no mínimo, 55 anos (Mattos; Seitz, 2008). Leal et al. (2008) relatam que mudas de ipê-roxo necessitam de maior tempo de manutenção em viveiro, com isso aumentando o custo de produção das mudas. Eventualmente, as folhas podem apresentar na face superior manchas pulverulentas brancas causadas por Oidium sp. As plantas também são afetadas pelo fungo Apiosphaeria guaranitica, que provoca manchas e necrose, bem como sua queda prematura (Machado et al., 1992; Schneider et al., 2000; IBGE, 2002; Souza et al., 2006). Informações sobre algumas doenças que afetam os ipês em áreas urbanas e formas de controle, podem ser obtidas em Auer (2001).

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente – Secretaria de Biodiversidade